quarta-feira, 21 de abril de 2010

O COMERCIAL DE TELEVISÃO

Estrutura da propaganda comercial – mensagens publicitárias

"De forma neutra, propaganda é definida como forma propositada e sistemática de persuasão que visa influenciar com fins ideológicos, políticos ou comerciais, as emoções, atitudes, opiniões e ações de públicos-alvo através da transmissão controlada de informação parcial (que pode ou não ser factual) através de canais diretos e de mídia." Richard Alan Nelson, A Chronology and Glossary of Propaganda in the United States, 1996

Definições básicas:

Propaganda: baseia-se na persuasão, que é o ato de desenvolver preferência, encorajar a mudança e mudar a percepção dos compradores em relação aos atributos do produto. (Modelo AIDA - Atenção – Interesse – Desejo – Ação - atrair o consumidor/ provocar interesse/ alimentar desejo/ transmitir credibilidade/fazer comprar). 

Ou seja, o publicitário (aquele que torna público) procura mudar a forma como as pessoas entendem uma situação ou problema, com o objetivo de mudar suas ações e expectativas para a direção que interessa. Ela não coloca falsas informações nas mentes das pessoas, mas faz com que as pessoas não se interessem pela informação verdadeira.

As propagandas podem ser comerciais (produto ou serviço), institucionais (promover idéia/causa da empresa ou instituição), e também política, eleitoral e religiosa.

Há várias técnicas que são utilizadas para criar mensagens que sejam persuasivas, porém falsas. Muitas dessas técnicas podem ser baseadas em falácias (argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que alega), já que os publicitários usam argumentos que, embora às vezes convincentes, não são necessariamente válidos.

Propaganda comercial – é uma mensagem com finalidade de difundir ao público-alvo, idéias sobre uma marca ou empresa (institucionais), promover um produto ou serviço de empresas ou comércios, anunciando em diversos meios de comunicação: revistas, jornais, filmes, internet, celulares, rádio e TELEVISÃO. 

A propaganda comercial requer um conteúdo de fácil compreensão e assimilação e pode fazer uso de spots publicitários, conhecidos como chamadas publicitárias, para fazer anúncios.

Spot - é um formato de propaganda falada, narrada ou interpretada por profissionais da voz. Serve para passar mensagem sobre um produto, serviço, marca ou empresa; informar e vender em curto espaço de tempo. Geralmente veiculado em rádios, TVs, internet, carros de som. 

O Spot pode ser comercial, publicitário, promocional, educativo ou político. Os mais comuns na grade de programação da televisão são aqueles que anunciam preços de produtos de supermercados, lojas de móveis, loja de roupas e até de carros em concessionárias.

E ainda:



Jingle – é um recurso publicitário que utiliza a música para a fácil memorização da mensagem pelo público-alvo a ser transmitida.


Springle – junção do spot com o jingle, ou seja, partes cantadas e faladas.



Vinheta – é uma breve mensagem de áudio e/ou vídeo rápida e curta, utilizada em passagens de comerciais de TV para aberturas de programas, seriados ou filmes

Técnicas de Geração de Propaganda – alguns recursos de persuasão

Os comerciais podem conter uma estratégia ou até uma combinação de várias delas juntas.



1. Criação de inimigos – mostra como o produto é eficaz em relação ao oponente
Ex.: Detergente contra a sujeira; analgésico contra a dor de cabeça; escova de dentes contra os germes; o inseticida contra o inseto.



2. Criação de problema – mostra um problema que o produto/serviço resolve
Ex.: Comercial de operadora de celular (desbloqueio), remédios (dores), materiais de construção (cano entupido)



3. Fazer comparação – mostra como o produto é melhor que o concorrente
Ex.: Comerciais de cerveja (cerveja quadrada), produtos de limpeza (sabão em pó que não rende)



4. Apelo à autoridade ou personalidade – um especialista no assunto que dá veracidade ao produto
Ex.: O dentista falando sobre escova de dentes; a modelo ou atriz bonita falando sobre shampoo/creme; o atleta anunciando tênis.


5. Estereótipo – utilização de fórmulas já consagradas para agradar ou desagradar
Ex.: Família feliz, inteligente que usa óculos, mulher grávida segurando a barriga, típica dona-de-casa, mulher gostosa, loira burra, mulher feia


6. Apelo ao humor – utilização do humor para despertar o riso e simpatia do consumidor
Ex.: Comerciais de cerveja, refrigerante, produtos de limpeza, calçados, carro.



7. Apelo ao medo – instigar o medo para convencer o consumidor
Ex.: Campanhas de prevenção de trânsito, doenças, gravidez.


8. Fazer Alusão – fazer referência ou citação de pessoa ou fato (real ou fictício) sem nomeá-lo diretamente, necessariamente conhecido pelo interlocutor.
Ex.: Comerciais que fazem alusão a filmes, novelas, personagens, celebridades, políticos.


9. Uso do Homem comum – conquistar a confiança do consumidor, comunicando-se com uso de imagem e texto de senso comum da sociedade
Ex.: Institucionais do governo, comerciais voltados para público jovem, de bancos, carros, cerveja



10. Utilização de Slogan - usar uma frase de impacto que resume a essência da marca, produto ou campanha. Deve ser preferencialmente curta, afirmativa, respeitando as regras gramaticais.


Ex.: “Brahma. A número 1”, “Malwee. Gostosa como um abraço”, “Skol. A cerveja que desce redondo”, “Banco Real. O banco da sua vida.”, “Unibanco. Nem parece banco”, “Globo. A gente se vê por aqui”, “Avanço. Elas avançam”, “Omo. Se sujar faz bem”, “Bombril. Mil e uma utilidades”, “Havaianas. Todo mundo usa”. “Você tem seu estilo. A Renner tem todos”, “Viva o lado coca-cola da vida”, “Tomou doril. A dor sumiu”. “Imperatriz. Até o preço é melhor”. “Johnny Walker. Keep Walking”, “Cheetos. É impossível comer um só”, “Helmanns. A verdadeira maionese”, “Nescau. Energia que dá gosto”, “O melhor plano de saúde é viver. O segundo melhor é Unimed.” “Casas Bahia. Quer pagar quanto?”




Algumas exceções conhecidas: (longa) “Existem coisas que o dinheiro não compra, para todas as outras existe Mastercard”, (negativa) “Brastemp. Não tem comparação”, (discordância) “Se é Cica, bons produtos indica”.


Referências:

Covaleski, Rogério. Cinema Publicidade Interfaces. Curitiba: Maxi, 2009.

Mestriner, Fábio. Design de embalagem – Curso Básico. Makron Books: 2002.
Palermo, Luiz Fernando. Publicidade e propaganda: comunicação e linguagem. Apostila 2009.1 Estácio de Sá.
Acesso http://k7producoes.com.br/spots-propaganda-comerciais.asp
Acesso: http://pt.wikipedia.org/wiki/Propaganda
Acesso: http://pessoas.hsw.uol.com.br/propaganda1.htm

terça-feira, 13 de abril de 2010

OFICINAS PRÁTICAS - 8 º e 9º E.F.

OFICINA DE CRIAÇÃO – Aplicação da Narrativa Clássica Hollywoodiana

( ) Atividade 1: Em duplas, escolher imagens para criação de personagens. Listar características e objetivos numa história iniciada. “Dar vida”.

( ) Atividade 2: Em grupo (3 duplas reunidas), debater e unir os personagens e idéias criadas na atividade anterior numa história coerente com aplicação da narrativa clássica (personagem e objetivo – obstáculo – solução - desfecho).

( ) Atividade 3: Definir os personagens finais numa história coerente completa – ARGUMENTO.


Obs.: O que é argumento? É a idéia desenvolvida pelo(s) roteirista(s). Será a base para desenvolver a seqüência de ações dos personagens e acontecimentos da história.



OFICINA DE ROTEIRO – Transformar o argumento em roteiro

Obs.: O que é roteiro? É a adaptação do argumento em ações e diálogos. São as cenas que serão filmadas.

*Exemplo 1 de transcrição de argumento para roteiro:

Trecho do argumento: Alan vive triste e sente saudade da filha.

Trecho do roteiro: Alan entra na sala, com uma expressão triste. Dirige-se até o sofá. Vemos uma fotografia sobre o sofá (com Allan e uma criança no balanço sendo embalada por ele). Alan agacha-se e pega a fotografia, trazendo sobre seu tórax. Depois olha a fotografia, enquanto chora.

*Exemplo 2 de transcrição de argumento para roteiro com diálogo:

Trecho do argumento: Corina leva um susto no banheiro de casa.

Trecho do roteiro:

INTERIOR - QUARTO/BANHEIRO - NOITE

CORINA entra no quarto segurando uma toalha. Ela veste uma saia até o joelho e uma blusa de lã rosa com 3 botões. Coloca a toalha em cima da cama e desabotoa o primeiro botão da blusa, enquanto se dirige para o banheiro. Ela liga o chuveiro. Vemos sua roupa caída no chão. Ela pega o sabonete e ensaboa o pescoço. Vemos um vulto através do Box. Corina está de olhos fechados ensaboando o ombro. O vulto está mais próximo. Corina abre os olhos e fica com expressão de pavor. Vemos MATHEUS, um garoto de 12 anos dando gargalhadas e Corina com expressão zangada.

CORINA
Não tem a menor graça, Matheus!

MATHEUS
Ai mãe! Foi só uma brincadeirinha!

Matheus sai rindo do banheiro e Corina desliga o chuveiro zangada. Ela se enrola na toalha e vai para o quarto.


( ) Atividade 4: Fazer a ESCALETA (resumo das cenas) antes de iniciar o roteiro.

Exemplo.: Primeiras cenas de “Crepúsculo” de Catherine Hardwicke 2008

1. Bella vai morar com seu pai.
2. No 1º dia de aula, Bella ganha um carro, faz amigos e conhece a família Cullen
3. No recreio, Bella e Edward trocam olhares
4. Bella entra na sala de aula após o recreio e Edward fica visivelmente transtornado. Bella se incomoda.
5. Bella vai na secretaria e escuta Edward pedindo para trocar de turma. Ela fica chateada.
6. No 2º dia de aula, Bella se encoraja para falar com Edward, mas ele não aparece.
7. Após alguns dias, Edward puxa assunto com Bella e ela fica surpresa. Os dois fazem um exercício de laboratório juntos.
8. Em outro dia de aula, Edward puxa assunto com Bella na fila da cantina. Bella é convidada pelos colegas para ir para praia.
9. Num passeio da escola, Edward pergunta sobre o passeio que Bella vai fazer, demonstra irritação e sai aborrecido.
10. etc...


( ) Atividade 5: Fazer o ROTEIRO – descrição das ações e diálogos.

Exemplo de desenvolvimento das cenas da escaleta (sem seguir o roteiro original):

Cena 1 – Bella vai morar com seu pai.

EXTERNA - CARRO - DIA

BELLA está sentada no banco de trás de um carro com olhar desanimado. Vemos o carro trafegar numa rua com aspecto de cidade do interior. Vemos pessoas olhando curiosas para o carro onde está Bella. Ela observa tudo com desânimo. O carro pára na frente de uma casa de madeira de dois andares com aspecto descuidado. Um homem vestindo uniforme de policial espera na porta com um sorriso tímido, é CHARLIE, seu pai. Bella abre a porta do carro, pega sua mochila e desce. A mulher também desce. As duas despedem-se com um abraço. A mãe olha com ternura para a filha. Bella quase não levanta o olhar para a mãe e acena para o padrasto. Dirige-se tímida ao homem de uniforme, seu pai. Os dois trocam olhares tímidos, se abraçam sem jeito e Bella entra na casa. O homem acena para o carro e entra. O carro parte.

INTERNA – QUARTO BELLA - DIA

Bella entra no seu quarto antigo. Senta na cama e larga a mochila no chão. Observa tudo em volta. Pega o travesseiro na mão e cheira. O homem entra. Ela larga rapidamente, sem jeito.

CHARLIE

(com receio, apontando para a cama)

Eu mandei limpar tudo pra você!

BELLA

(desanimada, olhando em volta)

É...eu percebi que está um pouco diferente!

CHARLIE

(com olhar baixo)

Faz tempo que você não aparece por aqui!

BELLA

(baixando o olhar)

É eu sei!

CHARLIE

(mostrando entusiasmo)

Está com fome?

BELLA

Um pouco.

CHARLIE

Vamos comer aquela torta que você adora então!

Os dois saem do quarto.

INTERNA –LANCHONETE – FIM DE TARDE

Bella e Charlie estão sentados numa mesa comendo torta. Bella observa as pessoas na rua, enquanto mastiga um pedaço de torta. Charlie a observa.

CHARLIE

Amanhã será seu primeiro dia de aula. Está animada?

BELLA

(esforçando um sorriso)

Claro Charlie!

Charlie come o último pedaço de torta, enquanto Bella toma um gole de refrigerante, observando as pessoas na rua.

Cena 2 – O 1º dia de aula

EXTERNA –FRENTE DA CASA DE CHARLIE- DIA

Bella está saindo da casa e ao descer a escadaria, escorrega e cai no chão. Charlie desce do carro e ajuda Bella a se levantar. Etc....

Link Trecho do Roteiro Original: http://www.scribd.com/doc/4990723/ROTEIRO-1-A-10

quarta-feira, 7 de abril de 2010

CINEMA BRASILEIRO

Propostas de temáticas - características principais

1. VIOLÊNCIA URBANA

Tragédias nacionais - Início da Déc. 10


Zé Pequeno em "Cidade de Deus" de Fernando Meirelles 2002

-As primeiras produções nacionais eram apenas vistas nacionais, feitas por estrangeiros em território brasileiro.

-O primeiro filme de ficção nacional foi “Os estranguladores” 1908, baseado num crime famoso da época no Rio de Janeiro.

-Observa-se a presença da violência urbana em diversos filmes atuais baseados em acontecimentos reais (tragédias nacionais tão evidenciadas na mídia) como: Carandiru, Cidade de Deus, Tropa de Elite e Parada 174.


2. LITERATURA BRASILEIRA

Adaptação de obra/filme - Início na Déc. 10


Brás Cubas em “Memórias Póstumas” de André Klotzel 2001


-Percebe-se que desde o início da produção nacional, eram realizadas adaptações de obras literárias brasileiras, que permanecem evidentes até hoje.

-Principais inspirações: Machado de Assis, Monteiro Lobato, Aluísio Azevedo, Dias Gomes, Eça de Queirós, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Joaquim Manuel de Macedo, José Lins do Rego, José de Alencar, João Cabral de Melo Neto, Lima Barreto, Mário de Andrade, Clarice Lispector, Nelson Rodrigues, Jorge Amado, Marcelo Rubens Paiva, Jô Soares, Chico Buarque.

-Adaptações de destaque obra/filme: O Guarani 1916, O Cangaceiro 1953, O Saci 1953 e Jeca Tatu (c/ Mazzaropi) 1959, Vidas Secas 1963, Meninos de Engenho 1965, A Hora e a Vez de Augusto Matraga 1965, Macunaíma 1969, Toda Nudez Será Castigada 1973, Dona Flor e Seus Dois Maridos 1976, Morte e Vida Severina 1977, O Cortiço 1978, Feliz Ano Velho 1982, A Hora da Estrela 1985, O Pagador de Promessas 1988, Policarpo Quaresma – Herói do Brasil 1988, O Xangô de Baker Street 2001, Abril Despedaçado 2001, Memórias Póstumas de Brás Cubas 2001, O Crime do Padre Amaro 2005, Vestido de Noiva 2006, Budapeste 2009

3. CINEMA EDUCATIVO

Governo, nacionalismo e censura - Déc. 30 - 70


“O Descobrimento do Brasil” de Humberto Mauro 1937


-Interferência do governo na produção nacional: incentivos, teor educativo e censura

-Regimes de ditadura investem na produção de seus respectivos países (Alemanha e Itália), por considerar o cinema um grande veículo de manipulação e conscientização de massas.

-Getúlio Vargas na déc. 30 contribuiu para a produção nacional, com foco em “apresentar o Brasil para Brasil” e ajudar a esclarecer a população em relação à própria história, ciência, hábitos de higiene, além de fazer propaganda política nacionalista “o governo é bom para o povo”. Criou uma série de decretos e incentivos para estimular a produção nacional e obrigar a exibição de pelo menos um curta nacional antes de qualquer sessão de cinema.

-No decorrer dos anos instituições governamentais foram criadas para controlar e incentivar a produção nacional e exibição de filmes nacionais e estrangeiros no território nacional. Ex: INCE 1936, INC 1956, Embrafilme 1969, ANCINE 2002

-Hoje não se vê filmes com teor educativo nas salas de cinema, mas percebe-se a valorização dos vídeos institucionais do governo, produzidos com qualidade e passando mensagens positivas.

-A melhor contribuição do cinema educativo foi a interferência do governo no cinema nacional, garantindo a produção, criando o incentivo fiscal (dinheiro de impostos para fazer filmes) e controlando o conteúdo que entra e saí do país, porém a censura (calar a boca) foi negativa em diversos aspectos, entre eles, o exílio de diversos cineastas e a proibição na produção e exibição de diversos filmes.


-Principais contribuições: Edgar Roquette-Pinto (educador) e Humberto Mauro (cineasta)


4. CHANCHADAS

Comédias populares – Déc. 40 – 60


Atores: Oscarito e Grande Otelo

-Após tentativas frustradas de empresários tentarem estabelecer o padrão industrial de Hollywood no território nacional com a criação de estúdios como a “Vera Cruz” e “Cinédia”, a produção nacional se voltou para outro foco - filmes com humor, de caráter popular, geralmente satirizando os filmes norte-americanos. Eram adicionados temas do cotidiano nacional, usado um teor carnavalesco e o personagem do malandro carioca.

-Com a vinda do cinema sonoro no final da Déc. 20, os musicais explodiram no mundo e com as chanchadas não foi diferente. Diversas chanchadas musicais fizeram parte da produção nacional.

-Os críticos de cinema desprezavam as chanchadas, mas eram populares e campeãs de bilheteria, por isso duraram por muito tempo.

-Os atores popularmente conhecidos como “Grante Otelo” e “Oscarito” fizeram diversos filmes juntos e são os maiores destaques das chanchadas.

-Na déc. 40 a produtora Atlântida desistiu de fazer melodramas – fracasso de bilheteria e passou a investir nas chanchadas.

- Um tipo original foi criado pelo comediante Mazzaropi, que encarnou o caipira simplório, de grande empatia com o público. "Sai da Frente", "Nadando em Dinheiro" e "Candinho" foram alguns de seus filmes de destaque.

-Na déc. 50 e 60, as comédias populares e seus respectivos artistas migraram para televisão brasileira.


Destaques: “Este mundo é um pandeiro” 1947 de Watson Machado, “Nem sansão nem dalila” 1954 de Carlos Manga


5. CINEMA NOVO

Movimento cinematográfico e estético – Déc. 50- 70


“Deus e o Diabo na Terra do Sol” de Glauber Rocha 1964


-Inspirado no neo-realismo italiano e nouvelle vague francesa

-Usava o slogan “Uma idéia na cabeça e uma câmera na mão” – mais realidade, mais conteúdo e menor custo

-Explorava novas formas de filmar com câmeras mais leves e fáceis de manusear

-Era contra o padrão industrial de Hollywood

-Buscava uma identidade para o cinema nacional

-Retratava a realidade, promovendo a reflexão sobre os grandes contrastes sociais, a fome, a seca no nordeste, problemas urbanos, cultura de massas, marginalidade, miséria e a violência.

-Uso de personagens como o jagunço, operário, imigrante, marginal, ntelectual, cidadão de classe média, político


-Principais cineastas: Glauber Rocha, Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra e Rogério Sganzerla


-Principais filmes: "Deus e o diabo na Terra do Sol” e “Terra em transe” de Glauber Rocha, “Vidas Secas” e “Rio 40 graus” de Nelson Pereira dos Santos, “Os fuzis” de Ruy Guerra, “A grande cidade” de Cacá Diegues


6. OUTRAS INFLUÊNCIAS


Existem outras contribuições para o cinema nacional como os ciclos regionais, cinema marginal, cinema undigrundi, cinejornais (documentários), pornochanchada e cinema da retomada, porém as listadas são mais facilmente notadas nas produções atuais (circuito comercial).


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Percebe-se que os filmes feitos hoje, sofrem influência de todas as fases da história do cinema brasileiro. Há os filmes de caráter cômico e personagens caricaturados como Didi, Xuxa e atores globais, além da linguagem aplicada na telenovela. Há também os filmes que abordam a realidade da violência urbana no país. Filmes de baixo orçamento, financiados pela lei de incentivo fiscal e valorização da cultura nacional. Mais difícil que fazer filmes, é exibir e competir com produções financeiramente superiores, como as de Hollywood e conseguir interessar os espectadores brasileiros diante de um leque de opções unidos a falta de conscientização e mobilização da população para estimular e continuar estimulando a produção nacional.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Como fazer uma vídeo-reportagem?


Importante saber:

Notícia:
narra um fato
Vídeo-reportagem: aborda o fato com diversos pontos-de-vista; notícia desenvolvida.


Passos:

1º Passo: escolher um fato (notícia), delimitar o tema (direto ou indireto), traçar pautas.

2º Passo: escolher as formas de abordagem: lugar, imagens, assuntos, entrevistados, etc.

3º Passo: produzir o material: agendar e gravar as entrevistas, fazer as imagens relacionadas ao tema (ter cuidados com direitos de imagens), gravar passagens.

4º Passo: editar o material: ouvir as sonoras dos entrevistados, sintetizar o assunto, criar o esqueleto (texto da reportagem) com sonoras e offs, cobrir os off com as imagens produzidas.

5º Passo: finalização: inserir trilha para acompanhar os offs, regular o áudio, cobrir possíveis cortes, inserir transições e efeitos, inserir gcs (nomes entrevistados – profissão/função; nome repórter – cidade)

Proposta de exercício:

1-Escolher uma notícia e delimitar um tema.
Ex.:
Notícia – Supermercados criam sacolas retornáveis para diminuir o consumo de sacolas plásticas.
Tema: Consumo consciente reduz o impacto ambiental.


2-Selecionar 4 pontos-de-vista (entrevistas) diferentes sobre o tema.
Ex.:
*Especialista explica o impacto negativo que as sacolas plásticas causam no meio-ambiente.
*Dona-de-casa explica o lado positivo e negativo de utilizar as sacolas retornáveis.
*Engenheiro ambiental explica a contribuição que as sacolas retornáveis podem trazer para o meio-ambiente.
*Caixa do supermercado explica o comportamento que observa das pessoas em relação as sacolas retornáveis e plásticas. Usam ou não usam?


3-Fazer as gravações
Ex.:
*Passagens do repórter na rua/supermercado/casa/cozinha.
*Imagens internas e externas do supermercado/casa/produtos/sacolas/entrevistados/multidão/rua
*Contraplanos dos entrevistados para apoio nos offs.
*Imagens da dona-de-casa no supermercado fazendo compras com sacolas plásticas e com as sacolas retornáveis. Local, Escolha dos produtos, Caixa, Guardando as compras, chegando em casa, destino das sacolas.
*Imagens dos lixões, poluição, plástico, fábrica de sacolas
*Imagens das sacolas retornáveis, sendo usadas de outras formas, sendo armazenadas e transportadas.

4- Editar e finalizar
Ex.:*Editar as sonoras dos entrevistados, colocando as informações essenciais, objetivas, diretas e claras. Sintetizar ao máximo, fazendo uso de offs se necessário.
*Criar o texto para o off, gravar, escolher a melhor passagem, montar o esqueleto, cobrir os offs com as imagens. Inserir trilha, gcs e fazer ajustes no áudio e nas imagens.

Observações: Procurar introduzir o assunto e encerrar com imagens e sobe som, resumindo a reportagem (pequeno clipe). Usar linguagem informal corrente de forma objetiva, clara e sucinta. Cuidar com aparência e optar pela dinâmica da informação. (deixar o assunto interessante)
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*Vídeo-aula bem-humorada e crítica do Rafinha Bastos aqui.
*Obra original aqui.

Vídeo-reportagem X Documentário

"Tanto o vídeo-reportagem como o documentário têm como principal objetivo contar uma história com começo, meio e fim, buscando o aprofundamento: as causas e conseqüências do tema em questão e destinados para um público-alvo.”*


Diferenças básicas: abordagem, formato e produção


1. Abordagem do conteúdo

Vídeo-reportagem – relaciona o conteúdo com algum assunto em pauta na mídia, de acordo com pauta anteriormente estipulada.

Documentário – tem caráter autoral e procura falar de assuntos paralelos, polêmicos ou que deixaram de ser abordados e têm importância para a sociedade.


2. Forma de abordagem

Vídeo-reportagem – tentará abordar o assunto de vários pontos de vista, na tentativa de ser imparcial e atingir uma expectativa prévia da pauta e do espectador. Trabalha com um tempo pré-determinado, que se encaixa na grade da emissora.

Documentário – geralmente se posiciona (toma partido) diante do assunto e tem autonomia em relação ao tempo. Procura instigar ainda mais, levantando questionamentos, inquietações e promovendo a reflexão.


3. Produção

Vídeo-reportagem – Geralmente utiliza a estrutura clássica da reportagem em televisão, ou seja, a construção de off’s (textos), sonoras (entrevistas) e passagem do repórter. Segue as pautas e de acordo com o material encontrado, cria novas pautas.

Documentário – Não segue uma estrutura padrão. Parte de um pré-roteiro que pode ser modificado de acordo com o material encontrado, mas seguindo a proposta inicial. Tem produção semelhante/igual ao cinema: pré-produção (planejamento), pré-roteiro (organiza idéias), produção técnica (orçamento, materiais).


Exemplos: Tema: consumo/impacto ambiental

Vídeo-reportagem: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1509603-15605,00.html

Documentário: http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=647


Referências:

Site: *http://www.arianefonseca.com/index.php/mundo-academico/video-reportagem-e-documentario-qual-e-a-diferenca - 2009

Artigo: “Documentário e vídeo-reportagem: uma contribuição ao ensino de telejornalismo” de Ana Paula Silva Oliveira; Ivete Cardoso do Carmo-Roldão; Rogério Eduardo R. Bazi, 2006.

Texto: O que é documentário? de Fernão Ramos, 2001.


Narrativa Clássica - Estrutura Básica

Orientação: Para visualizar - clique na imagem

ESTRUTURA DA NARRATIVA CLÁSSICA


Personagem e objetivo: Geralmente no início de algum filme os personagens principais são apresentados e contextualizados. São apresentadas características físicas, psicológicas e sociais. Com algumas definições, já é possível vislumbrar os objetivos de cada personagem, coerentes com suas personalidades, em relação a história contada no filme. Eles podem permanecer os mesmos até o final ou serem alterados de acordo com a trajetória da história.


Obstáculo: Quando cada personagem já foi apresentado e já foram traçados os objetivos principais, os obstáculos que impedem a concretização destes objetivos específicos são apresentados como forma de entreter e prender a atenção do espectador. Justifica a razão de existir do filme. São os obstáculos que promovem e justificam as ações dos personagens de acordo com seus objetivos.


Solução: Após os obstáculos serem apresentados, a solução para cada um deles é apresentada.


Desfecho: É o final do filme, que mostra se a solução foi concretizada. Filmes clássicos geralmente terminam com finais felizes.


Alguns exemplos de aplicação básica de narrativa clássica:


*Filmes que tem como protagonistas, um casal apaixonado que não consegue ficar junto por algum obstáculo. Ex.: classe social, guerra, família, doença, etc.

*Filmes que contenham Herói X Vilão Ex.: Super-homem, Homem-Aranha, Batman, etc.


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Referências:
"A narrativa clássica hollywoodiana" de David Bordwell
Oficinas - www.telabr.com.br